Argentina critica apoio britânico a petrolíferas nas ilhas Malvinas

Argentina critica apoio britânico a petrolíferas nas ilhas Malvinas

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Pablo Quirno, afirmou esta sexta-feira que o apoio do Reino Unido às empresas petrolíferas que operam nas ilhas Malvinas demonstra que Londres não pretende negociar a soberania do arquipélago.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Alessia Maccioni - Reuters

O Governo de Milei anunciou no início de setembro novas sanções contra empresas que participem em atividades de prospeção e exploração de recursos naturais nas ilhas e apresentou também esta semana um projeto de lei de Defesa da Soberania Nacional.

Numa entrevista à emissora A24, Quirno reiterou que a reivindicação do Governo de Javier Milei sobre as ilhas disputadas é de natureza diplomática e não tem qualquer "intenção belicista".

Questionado sobre a posição manifestada pelo Governo britânico após as medidas anunciadas pela Argentina, Quirno declarou que o apoio de Londres "demonstra a posição do Reino Unido de não querer sentar-se à mesa das negociações, tal como determinam as disposições das Nações Unidas".

O chefe da diplomacia argentina recordou uma das resoluções das Nações Unidas que, segundo explicou, estabelece que "enquanto durar esse diferendo e não for resolvido, ambos os países não devem adotar medidas unilaterais", criticando a exploração de hidrocarbonetos atualmente realizada nas ilhas sob administração britânica.

O governante insistiu que "a Argentina não tem qualquer intenção belicista e sempre procurou resolver, em democracia, de forma pacífica e diplomática", o diferendo sobre a soberania das Malvinas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833.

Relativamente às petrolíferas, Quirno defendeu a estratégia do executivo e afirmou que o Governo "valorizou os seus ativos estratégicos, permitindo que sejam utilizados neste conflito".

Quanto aos Estados Unidos, o ministro argentino afirmou que Washington "decidiu adotar uma posição de neutralidade" relativamente ao diferendo, mas considerou que a recente referência do Presidente Donald Trump às Malvinas é positiva para a Argentina devido à "visibilidade que confere à causa".

Trump afirmou, a 31 de agosto, que existia a possibilidade de os Estados Unidos reverem a sua posição sobre a soberania das ilhas Malvinas.

Milei passou de admitir a sua admiração pela ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, logo após ter assumido a presidência da Argentina, em dezembro de 2023, a despertar um forte sentimento nacionalista e a tornar-se um grande defensor da soberania do país, com ações judiciais e legislativas.

Em 1982, o Reino Unido governado por Thatcher e a Argentina envolveram-se num conflito armado de 74 dias, desencadeado pela invasão, a 02 de abril, das ilhas Malvinas pela ditadura militar argentina, liderada por Leopoldo Galtieri, para tentar recuperar esse território aos britânicos (que lhes chamam Falklands) e desviar as atenções da crise económica interna.

Thatcher destacou um grande contingente aéreo e naval para manter o arquipélago, o que conseguiu, a 14 de junho, com a rendição das tropas argentinas, após um balanço de vítimas mortais de 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e três civis locais.

A derrota causou a queda da junta militar na Argentina e ajudou a restaurar a democracia, ao mesmo tempo fortalecendo o Governo de Margaret Thatcher no Reino Unido.

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